American Steel para quem trabalha

Durante uma agradável conversa entre uma Pie e outra com a Lupin após ela ter conduzido uma visita guiada com outros visitantes pelos vários estúdios do American Steel, ela me apresenta Karen – a fundadora do espaço.

Nesse rápido papo falamos sobre vários assuntos, desde o que a minha galera de recife anda aprontando, até sobre meu interesse em “viver” experiências num espaço como aquele e ajudar no que pudesse como voluntário.

Depois desse dia, bati literalmente na porta, corri atrás e, por fim, fui recebido de braços abertos pelo American Steel. E é assim que estou desde o começo de abril.

Por trás do American Steel existe a Karen Cusolito, uma mulher simpática, delicada, de rosto sereno que aparentemente não combina com as suas inúmeras responsabilidade.

Além de fundadora e gestora desse gigantesco espaço artístico industrial, ela também é uma prestigiada artista que faz belíssimas esculturas gigantes em aço e uma das responsáveis pelo forte movimento “Maker” de Oakland. E que, apesar do dias cheios, ainda se escalou para ser minha mentora.

Depois de ter conhecido-a melhor não demorei para entender como se construiu uma grande e efervescente comunidade como a do American Steel. Ao lado da Karen tenho vivido um aprendizado de criação de experiencia dentro de um espaço Maker.

Não só nas conversas sobre o tema, mas nos exemplos durante trabalho pesado, onde ela divide nosso tempo entre trabalhar nas esculturas e dar conselhos informais sobre o universo mão na massa.

Percebi que gentileza misturada com ação é o que move o espírito colaborativo do espaço e é exatamente isso que faz as pessoas criarem ali a extensão de suas casas. Entre o trabalho duro e estressante que, nos pequenos detalhes, aquele lugar se torna tão especial.

Aí vem as descontraídas conversas de sofá com os membros; as brincadeiras com os cachorros; as pausas para dançar blues’n jazz em cima da mesa de trabalho; os vários Hangouts diários para comer salada e smoothies revezados por pizzas e cervejas; as diversas músicas tocadas no celular e acompanhado pelo contra baixo do Mike enquanto trabalhamos; as brincadeiras e pegadinhas ou os gestos atenciosos como me fazer levar cervejas e flores para alguém sem motivos específico, me encoraja a tomar tais atitudes, só para trazer um sorriso.  Essas coisas fazem o dia a dia ser muito mais legal do que a gente espera.

Karen, desde então, está tentando me convencer a desistir do ramo. Mas nesse quesito ela vem falhando feio!

American Steel para quem visita

Foi nesse lugar incrível chamado American Steel que eu venho passando boa parte das minhas tardes e noites desse mês de abril. Mas antes de dizer como está sendo essa experiência (farei no próximo post), vou descrever o que é e o porquê desse lugar ser tão “fodástico”.

A história do American Steel começa em 2006 quando a artista e também fundadora, Karen Kusolito, precisava de um espaço grande para trabalhar. No início, ela ocupou um pequeno espaço num grande galpão industrial de 24 mil metros quadrados – que nessa época se encontrava praticamente vazio. Não demorou muito para uma comunidade emergir para dentro do espaço, tornando o local um paraíso para as mais diversas indústrias e habilidades do setor criativo.

Atualmente os frequentadores do AmSteel são pessoas de várias áreas, entre eles estão pintores, fotógrafos, fabricantes e escultores de larga escala, solucionadores de problemas, designers, urbanistas, estilistas, engenheiros, performers, joalheiros, cientistas (vários malucos) e tudo que é tipo de artista que se possa imaginar.

Sem falar nas empresas que trabalham com desenvolvimento de tecnologia de hardware, fabricação em metal, gerenciamento de reutilização de água, sabonete, papelaria, instalações, grandes projetos e etc. Ao total mais de 200 membros, entre artistas e empresas, estão espalhados por 10 baias (corredores)  fazendo tudo que é tipo de invenção voltada para criatividade, inovação e indústria.

Mas para dizer que o American Steel não emergiu do acaso, vários fatores influenciaram, e muito, o crescimento da comunidade. Além da dimensão, a disponibilidade do edifício e o fértil ecossistema artístico de Oakland, os grandes portões para entrada de veículos de cargas e as pontes rolantes industriais possibilitam carregar facilmente qualquer tipo de carga pesada por todo o prédio usando apenas controle remoto. Parece desnecessário dizer que isso é um atrativo, mas depois de ver o poder que isso tem, os limites da escala se tornam algo superável.

Não é tão fácil fazer uma visita lá atualmente. Por ser um lugar cheios de perigos (fogo para tudo que é lado, cargas de toneladas sendo transportadas acima da cabeça, ferramentas perigosas e etc.) o espaço normalmente é fechado para visitação, abrindo exceção somente durante eventos organizado pelos membros e uma vez no mês para visitação guiada e em grupo. Durante essa visita, é possível visitar pelo menos 1/5 dos espaços ocupados e poder trocar ideias com os membros.

Enfim… Esse é uma lugar que respira criação em espirito colaborativo. É o grande playground dos inventores mão na massa.